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O que é a Medicina Hiperbárica

A Medicina Hiperbárica é o ramo da Medicina responsável pelo estudo, pelas normas de prevenção e segurança e pelo tratamento de todas as patologias causadas pelos ambientes pressurizados, como também todas as situações patológicas que se beneficiam com oxigênio sob pressão.

O ser humano sempre se sentiu atraído pelo fascínio exercido pelo mar, e na tentativa de provar novos riscos e desafiar o perigo desde épocas remotas se aventurou na atividade de mergulho.

Ao pesquisar livros da historia antiga, observamos que já por volta de 4.500, antes da era cristã já existiam homens que se dedicavam a esta atividade com intuito de buscar alimentos, atividades comerciais através da coleta de pérolas e conchas, e também com finalidade bélica, para danificar naus inimigas. Relatos históricos revelam que o imperador Xeres, por volta de 400 antes de Cristo mandavam seus mergulhadores atacar e sabotar embarcações inimigas.

Com a possibilidade desses homens em se manter por um tempo mais prolongado submersos, e em profundidades cada vez maiores, começou-se a perceber algumas alterações físicas até então desconhecidas.

Coube a Aristóteles, em 300 antes de Cristo, o primeiro relato sobre a descrição da Ruptura de membrana timpânica em mergulhadores da época, o que hoje sabemos ser o barotrauma de ouvido médio.

Porém alguns séculos se passaram, ocorrendo com certeza inúmeros acidentes de descompressão, inclusive com muitas mortes e incapacitações físicas, até que no ano de 1670 Robert Boyle utilizando de cobras como cobaias, colocadas dentro de caixas hermeticamente fechadas e pressurizadas com bombas pneumáticas, após descompressões bruscas, constatou o aparecimento de bolhas de gás na câmara anterior dos olhos desses animais.

Desse modo, foi o primeiro relato conhecido sobre os efeitos deletérios da descompressão brusca.

Quase 150 anos mais tarde, Lorde T. Alejandro Cochrane desenvolveu um sistema pneumático que permitiu ao engenheiro francês, Triger, em 1841, fazer a primeira descrição de toda sintomatologia da doença descompressiva, em trabalhadores de uma mina de carvão que se utilizavam dos "caixões pneumáticos" no intuito de se evitar as inundações do local de trabalho.

No ano de 1878 o fisiologista francês, Paul Bert publicou sua obra "A Pressão Barométrica" eternizada na literatura da Medicina Hiperbárica, na qual relata que os sintomas anteriormente descritos sobre a doença hiperbárica são decorrentes da formação de bolhas de nitrogênio no tecidos, após descompressão descontrolada.

Descreve também o chamado Efeito Paul Bert, "que é a intoxicação do sistema nervoso central pela ação do oxigênio pressurizado".

Na história da Medicina Hiperbárica houve um cientista brasileiro, mundialmente conhecido e reconhecido como tendo contribuído em muito para o desenvolvimento desta área médica. Infelizmente totalmente desconhecido para nós, brasileiros.

Estou me referindo ao Dr. Álvaro Ozório de Almeida (1882-1952), médico sanitarista, Diretor de Higiene e Saúde Pública na cidade do Rio de Janeiro.

Após um período de estudos no Instituto Pausteur em Paris, o Dr. Álvaro retornou à cidade do Rio de Janeiro e montou seu centro de pesquisas e tratamento em câmara hiperbárica no Hospital Gaffrée e Guinle.

Em 1934 publicou seu primeiro trabalho sobre a intoxicação do oxigênio hipérbarico e em pacientes portadores de câncer, submetidos à radioterapia e oxigenoterapia hiperbárica.

Publicou também, brilhantes trabalhos na área da Medicina Hiperbárica, em tratamento coadjuvante em queimaduras, gangrena gasosa e nos lepromas de portadores de Doença de Hansen. Este foi sem dúvida nenhuma um grande salto cientifico da Medicina Hiperbárica.

O segundo grande salto, ocorreu em 1956, quando o médico holandês, Dr. Ite Boerema após varias experiências realizadas em porcos, publicou no Journal Cardiovascular Surgery o trabalho intitulado "Live Without Blood".

Durante todos esses anos, centenas de trabalhos foram publicados, mostrando e comprovando a toda essa classe médica os efeitos e benefícios da Medicina Hiperbárica.

A Oxigenoterapia Hiperbárica é a parte da Medicina Hiperbárica que se utilizada das câmaras hiperbáricas para tratamento de todas as situações patológicas indicadas para tal, com o paciente em seu interior respirando oxigênio puro (aproximadamente 100% de pureza).

Existem dois tipos diferentes de câmaras hiperbáricas:

Câmaras Monoplace: equipamentos pequenos, com possibilidade de tratamento individual, pressurizadas com o próprio oxigênio puro, estando o paciente em seu interior sendo tratado.

Câmaras Multiplace: equipamento de grande volume, com capacidade variável entre 2 e 20 pacientes. O ambiente interno é pressurizado com o ar ambiente; ou seja, uma mistura gasosa, enquanto os pacientes a serem tratados respirarão oxigênio puro através de uma máscara ou de um capuz.

Não cabe a nós neste momento, tecer comentários sobre as vantagens e desvantagens desses dois tipos de câmaras hiperbáricas, e com certeza existem.

ASPECTOS FISIOLÓGICOS

Um individuo normal respirando ar ambiente em normopressão estará recebendo oxigênio a uma pressão parcial de aproximadamente 150 mmHg. Com o caminhar do ar respirado em direção a arvore traqueobrônquica, e chegando nos alvéolos, a pressão parcial desse mesmo oxigênio estará agora em aproximadamente 10 mmHg. Ao passar através da barreira alvéolo-capilar, a pressão cairá mais um pouco, chegando em 90 mmHg. Nestas condições, teremos uma saturação da hemoglobina circulante em torno de 97%, e a quantidade de oxigênio dissolvido em plasma, de cerca de 0,3 volumes %.

Quando colocamos uma pessoa respirando oxigênio a 100%, também ainda em normopressão, a hemoglobina estará saturada em 100%, e a quantidade de oxigênio dissolvido em plama estará aumentada para 2 volumes %.

Se, contudo, associarmos ao oxigênio a 100% o aumento de pressão atmosférica, teremos então todas as alterações físicas referidas mais acima. Ao dobrarmos a atmosfera ambiente, elevaremos o PO2 arterial para 1.600 mmHg e a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma em aproximadamente 4 volumes %. Quando triplicamos a pressão ambiente, a PO2 arterial estará em 2.300 mmHg, e a quantidade de oxigênio dissolvido, em 6 volumes %.

Dessa forma, o paciente dentro de uma câmara hiperbárica, com aumento de pressão atmosférica no seu interior, e respirando oxigênio a 100% terá um grande aumento circulatório na porção de oxigênio liquefeito no plasma, ocorrendo dessa maneira muitos efeitos biológicos (químicos e celulares) que se faz nesta situação especial.

Efeito Antibiótico: a própria situação de hiperóxia criada pela OHB proporciona ação bactericida, bacteriostática, fungicida e fungostática; aumentando também a ação dos macrófagos. Ocorre sinergismo importante entre essa situação hiperóxia e a maioria das antibióticos, principalmente com os aminoglicosídios, cefalosporinas, cloranfenicol, clindamicina, vancomicina.

Efeito Osteogênico: em tecidos ósseos comprometidos, ocorre uma melhor atividade dos osteoblastos.

Efeito Angiogênico: sabemos que o estímulo para a neovascularização se faz pela situação de hipóxia, porém entre uma sessão e outra de OHB se cria uma situação de hipóxia relativa, sendo este o estímulo para a angiogênese.

Efeito Músculo Protetor: ocorre proteção de toda musculatura estriada envolvida no processo patológico, com diminuição no acúmulo de lactato.

Efeito vasoconstructor: efeito próprio da hiperóxia, resultando em diminuição do edema criado pela vasoplegia. Devemos ressaltar aqui, que apesar da vasoconstricção, levando-se em conta a liquefação do oxigênio em nível plasmático, ocorre um incremento muito grande na oxigenação dos tecidos.

Efeito antiradicais livres: ao contrário do que se pode imaginar, o tratametno com OHB leva a situações protetoras contra a formação em excesso dos radicais livres, com aumento na formação de ATP, diminuindo a marginação leucocitária, etc; como também melhorando a atuação dos “varredores” dos radicais, como por exemplo a superóxido dismutase.

Efeito de compressão gasosa: pela lei de Boyle, já mencionada anteriormente, temos o efeito de compressão das bolhas de gás, associado ao efeito de lavagem mais rápida e eficiente dos gases inerentes e/ou tóxicos.

Efeito cicatrizante: em qualquer injúria tecidual onde não seja possível ser atingido uma tensão de oxigênio de pelo menos 40 mmHg, haverá um comprometimento da regeneração do tecido, como também alteração em sua função e vida. O tratamento coadjuvante com o OHB proprciona uma condição excepcionalmente boa para o funcionamento acelerado de todas as células envolvidas no processo de cicatrização, principalmente os fibroblastos.
Efeito Antiinflamatório: a OHB terá influência em várias etapas da cascata inflamatória, responsável por inúmeros efeitos danosos à homeostase, fazendo com que essa cadeia seja interrompida.

Efeito de ativação celular: ocorre uma melhor ativação na formação dos macrógrafos, através de fatores provenientes das plaquetas, com o fator de crescimento (TGF-BETA). Com a ativação dos macrógrafos, resultará na síntese de óxido nítrico, que estimula a cicatrização e tem efeito antimicrobiano


Atenção:
As informações contidas neste website têm caráter informativo e educacional não devem ser utilizadas para realizar auto-diagnóstico, auto-tratamento ou auto-medicação.